Eu disse que o irmão dela era um homem bonito. Ela me disse que ele era respeitador e procedia assim para ter suas irmãs respeitadas. Não entendi a relação entre a atitude pessoal e a expectativa do homem bonito, já que a primeira não provoca a outra. Mas também se a gente sempre esmiuçar uma conversa tintim por tintim corre o risco de fazer de qualquer encontro uma coisa chata e demorada.
Dias depois, o respeito bateu na minha cabeça e me dei conta da sua extensão. Descobri não saber onde começa e muito menos onde acaba. O multifacetado respeito é pra lá de desrespeitado e só nortearia o conjunto de relações humanas se a sociedade fosse composta de anjos, de preferência serafins, lá do topo da hierarquia celeste. Percebi também que não somos educados e nem sempre educamos nos valendo dele como um filtro, um rim. Observei ainda que em algumas situações não é bem-vindo.
Se houvesse um código tratando dele, provavelmente imporia respeito ao erário, aos bolsos alheio e familiar. Respeito ao colega de escola e de trabalho, ao vizinho, ao encanador. Respeito à saúde, à educação, à integridade física. Respeito ao empregado pelo chefe e vice-versa. Respeito pela ideologia, pela religião e pelo modo de cada um ver a vida. Respeito pelas condições feminina e masculina, bem como pela opção sexual. As filas seriam lembradas e o trânsito, também.
A amizade e o amor talvez merecessem considerações especiais e, tipificados como bens maiores do mundo, destaque na legislação, que não esqueceria o respeito à burka, ao fio dental, aos mais fracos. Banqueiros, grandes empresários, laboratórios e produtores rurais não envenenariam o homem pela boca e pelo bolso e o meio-ambiente mereceria grande apreço do planeta inteiro. Com tanto respeito, a criminalidade levaria o maior tombo e se transformaria em exceção. Enfim, um novo mundo.
Mas há o outro lado. O que se convencionou chamar de homem respeitador deveria passar por uma reciclagem porque o sexo burocrático vai contra a intimidade de que precisa o amor para alcançar graça, alegria, leveza. Inimigo da intimidade e amigo da repressão, o homem respeitador faz do leito um local adequado para dormir sem sonhar e do dia seguinte um novo fardo, com sol ou com chuva.
Quem desenhou o respeitador muito bem foi o escritor Jorge Amado, na pele do doutor Teodoro em Dona Flor e seus dois Maridos. De pijama, luz apagada, mudo e coberto pelo lençol, procurava a esposa em dias previamente marcados. E a morena acabou entre as pernas de um fantasma. Fora das páginas de um romance, é provável que a fantasia feminina dê uma chegadinha no além se um Teodoro habitar sua vida. Caindo de razão. Afinal, não se desrespeita o prazer impunemente.

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ResponderExcluirNão!!!Nunca!!!Jamais um homem desses teria qualquer chance comigo. Imagino-o todo empijamado a solicitar: "amorzinho, se estiver disposta será que eu poderia introduzir um pouquinho meu pênis ereto em sua va...va...vagina?" Cruz credo, estou fora...
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