Resolvi fazer uma aposta: dentro de poucos anos milhares de mulheres de classe média e acima de 55 anos vão morar aos pares. A novidade já está por aí mas tem tudo para ganhar corpo, com o jornal, a televisão e a internet falando sobre o assunto. Psicólogos e sociólogos também se ocuparão do tema e vão analisar os porquês. Não me refiro nem de longe a lesbianismo e, sim, a amigas sob o mesmo teto.
Acredito nisso por ver, em qualquer canto para onde olho, mulheres formando uma rede de proteção entre si mesmas da qual a figura masculina está praticamente excluída. Não se trata de uma opção, mas da circunstância de ser mais factível e segura a associação sem eles. Conta também o número maior delas, crescente a cada rodada estatística sobre população. Vejo as mulheres em busca de uma saída, com cara de solução, para terem companhia.
Quando param de trabalhar, as pessoas emagrecem as relações pessoais e, à medida que o tempo passa, a zona de convivência mingua mais ainda. Uma das maiores queixas dos velhos é justamente a solidão, quase ninguém ignora tal realidade. E para fugir dela, o novo comportamento vai se impor. Quanto aos homens, ainda não percebi nenhum movimento até porque eles falam menos, se expõem menos, trocam menos, reclamam menos. São muito mais fechados no emocional do que elas, chegadas a escancarar anseios e dores.
Há um outro aspecto nessa questão: mulheres têm senso prático melhor desenvolvido porque acumulam afazeres ao longo da vida, dividindo-se mais entre filhos, maridos, parentes, a casa e o trabalho. Homens costumam se concentrar no ofício, o que não exclui alguma ajuda nos outros campos da vida. E essa praticidade vai pesar na hora de morar com a amiga, a começar pela ausência de obrigações legais, passando pela divisão de tarefas e despesas, as afinidades ligadas ao feminino e a falta de competição em matéria de beleza e de conquista amorosa.
Fazer amigas vem se transformando em meta. Mulheres agradam umas às outras e praticam descaradamente um novo tipo de sedução. Mal iniciada uma relação, abrem as portas de casa, se esmeram no oferecimento de refeições de primeira, com décor e tudo, presenteiam com flores e outros mimos, deixando claro o tanto que a outra é bem-vinda. Estão sempre a postos para ajudar no que for preciso, com humor a mil e toda paciência do mundo. Mostram-se parceiras animadas para qualquer programa. Amiga nova virou trofeu. Até lembra alguma coisa tipo macho-fêmea, pois a idéia maior é chegar perto. Intimidade. Apenas lembra.
Morar com a amiga vai sair bem mais barato. Além disso, não existirá a caça de companhia para sair de casa, viajar. Se uma delas adoecer, terá com quem contar na hora. A vida com certeza ganhará em facilidades. Além disso, mulheres deixarão de ser um peso para suas famílias. Um peso e uma obrigação. E será aberto um espaço mais propício ao afeto e à curtição dos seus, sem excluir todas as responsabilidades.
A imagem e a idéia do homem presente, ali do lado, tende a esmaecer com o tempo e não levar jeito de necessidade para mulheres mais velhas. Mas na eventualidade de a cabeça lhes faltar um pouco, liberando conteúdos reprimidos, ou mesmo sob anestesia, a fantasia sexual com certeza vai roubar a cena. Ele se foi mas continua dentro dela. Como sempre. Intacto. E daí? Ora, e daí nada. A natureza humana é tão somente a natureza humana. A mesma de sempre.

Tb aposto tudo nisso. É uma realidade da qual não poderemos fugir porque bate à nossa porta, como nós batemos em portas alheias. De mulheres, é claro. bjs
ResponderExcluirE homem com homem, dá lobisomem? bjs
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