quarta-feira, 21 de abril de 2010

vampirização

A comprovação científica de drogas para o combate de doenças é um bem e um mal. Claro que ninguém pode sair por aí tomando isso e aquilo para escantear uma úlcera. Mas também ignorar procedimentos antigos e enraizados em culturas não faz sentido, até porque a sobrevivência de povos e mesmo de grupos étnicos não existiria na ausência da saúde.
Se a medicina formal começou com o grego Hipócrates, cujo ano de nascimento não é preciso mas foi antes de Cristo no mínimo uns 370 anos, aí então o bicho pega. Na época, a ciência dava grandes passos mas, vista pela ótica de hoje, engatinhava. Portanto, não teria condições de respaldar droga nenhuma. Sem camisa de força, a medicina caminhou firme, chegou ao que é hoje, e certamente vai surpreender muito mais.
Entretanto, médicos sempre pronunciam a mesma frase quando indagados sobre a validade de um procedimento de cura que passa longe dos laboratórios biliardários: não há comprovação científica. O que não significa impossibilidade de alcance do efeito desejado. Se enxergam crendice nas técnicas indígenas, por exemplo, o fazem também por crença, pois se recusam a testá-las. Tudo bem, precisam da certeza e da divisão de riscos para medicar. O que é compreensível, natural e necessário.
Se diante de um simples chá de semente de sucupira para liquidar problemas articulares em homens e animais os médicos pulam, imagine se alguém disser para eles que fulano de tal foi vampirizado. Vão cair duros. A palavra pesa e significa que alguém, deliberadamente ou não, sugou a energia do indigitado. A inveja e a raiva costumam se situar na raiz do problema. Então, o sujeito sente um mal estar difuso, uma perda da força, um desânimo de dar dó. Se não for tratado logo, pode cair de cama.
Para recuperá-lo, o caminho não é tortuoso: basta fazer com que a energia vital, paralisada pela vampirização, volte a fluir pelos meridianos do corpo. Uma sessão de acupuntura, uma massagem de reiki ou de shiatsu resolvem o problema. É barato e dá não efeito colateral. Quando a energia volta a percorrer seus caminhos no corpo, o indivíduo tem a pele aquecida, uma sensação de calma e, muitas vezes, uma coceira que passa logo. E zera.
Ninguém precisa crer nessas coisas, mas é provável que já tenha saído de algum lugar ou de um encontro e sentido uma coisa esquisita e indecifrável, um incômodo geral, uma espécie de enfraquecimento. Você conhece alguém que viu uma planta murchar depois de receber uma pessoa em casa? Há quem te ponha para cima? E para baixo? Quando você vê dois adultos conversando, aponta fácil qual deles tem mais energia vital? É visível e invisível ao mesmo tempo.
Bem, vou parar de reproduzir aqui o que uma terapeuta de reiki me contou outro dia e, se um médico ler esta postagem, talvez mexa os pauzinhos e encaminhe a moça para a fogueira. Só por reportar o lance da vampirização, ganho mole o diagnóstico de maluca. Mas com prazer. Posso ganhar de outros profissionais também, mas aí não valerá porque eles não terão formação científica para tal. Hoje, nega-se o mistério e exige-se comprovação de tudo, inclusive da vida e da atuação das bruxas. Do contrário, elas nem existirão, embora andem por aí. Aos montes.

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