sábado, 25 de setembro de 2010

Joaquim Roriz

Um belo dia, Zeus resolveu encontrar o centro do mundo. Soltou duas águias de lugares opostos da Terra e, exatamente na altura do cruzamento dos vôos, na cercanias do Monte Parnaso, colocou no chão uma pedra para marcar o lugar sagrado. Nascia o umbigo do mundo, de onde Zeus entraria em contato com qualquer pessoa que assim o desejasse para consulta ou orientação.
Antes, porém, houve um problema: a região era dominada por píton, a cobra gigante, representante das forças primitivas e irracionais, que não permitia intromissão de ninguém por ali. A salvação veio de Apolo, o deus da beleza, que matou a indigitada num formidável combate, sepultando os restos ofídicos no pedaço de terra onde depois se ergueu o Templo de Delfos.
E por quinze séculos, do princípio ao fim do império da cultura grega, o templo foi a meca de peregrinos do mundo helênico, que consultavam as pitonisas para saber do próprio destino, bem como o da família e da pátria.
Píton, entretanto, ressuscitou e não perdeu a pose. Pior: mora em Brasília. Conseguiu reunir seus podres pedaços e, usando as mais modernas técnicas da medicina, se transformou em uma mulher sob o estranho nome de Weslian. Desmoralizou o Oráculo de Delfos, que não chegou a antecipar a ninguém a história que enoja mais de um milhão de pessoas apenas na capital do País. Píton segue num cinismo que escandaliza tanto que destroi a possibilidade de palavras e as tentativas de explicação. É o impossível em carne e osso.
Por onde será que anda o deus Apolo? Combate ainda ou se aposentou?
A hora é de vômitos.

Um comentário:

  1. Suas palavras escorregam fácil. Acredito que nessa blogada vc deve ter subido o Monte Parnaso para, na morada das divindades protetoras das artes, buscar tamanha inspiração. Não chegarei às alturas, mas darei meus pitacos sobre tanta aberração. Pois, lembrando o antológico discurso do líder pacifista e Nobel da Paz, Martin Luther King, tb "Tenho um sonho": ver defenestrados de Brasilia e do País, políticos tão vagabundos.
    Então, vai meu petardo:
    S.O.S!!!Papuda!!!A bandidagem está solta. Salve-se quem puder.
    Tapem os narizes, brasilienses, a capital federal virou o sovaco do Brasil. Fede a esgoto.
    Emprestei-me do insuperável W. Auden pra expressar minha indignação:
    "Tranquem os velhinhos e as crianças em casa; impeçam os cães de latir; embrulhem a lua; desmantelem o sol; despejem os oceanos; silenciem os sinos...Voltamos à idade das trevas. Que os eleitores usem tarjas negras ao votar em urnas nada confiáveis; e a esquadrilha da fumaça voe em círculos nos céus de Brasilia desenhando a mensagem: O SISTEMA ELEITORAL BRASILEIRO ESTÁ MORTO. É FICHA-SUJA".
    Só mesmo relendo "A náusea", de Sartre, ou "Ensaio da cegueira", de Saramago.
    Conheci meia dúzia de políticos com P maiúsculo que devem estar derramando grossas lágrimas, como grãos-de-bico, tb enojados com uma legislação que alça uma Weslian (como mesmo se pronuncia???) pra vaga do maridão candidato a governador do DF, às vésperas das eleições. Certamente, filosofariam com Sócrates: "Você pode ser o seu pior inimigo. O seguinte, é com quem vc mantém uma relação íntima". E recomendariam aos novatos ainda não desvirginados pelos casualismos das madrugadas que leiam Sartre e Camus - cujo cerne se baseia "na moralidade e na ética".
    Problema é que aqui,como acolá, os analfabetos políticos se satisfazem muito fácil com a mediocridade: elegem pra presidente um falsário, porque era jovem e bonitão; o rinoceronte Cacareco; o refrão "eu sou Enéeeeiiiassss!!!!; eternizam partidos e políticos chinfrins - que tomam o País de assalto; e, por aí vai...Agora, um palhaço analfabeto tb desponta como campeão de votos na maior metrópole e um preso engaiolado continua candidato.
    Seremos nós, então, os palhacos?
    Como Churchil, tb me escandalizo: "esse não é mesmo um País sério...."
    Aos rorizistas que pretendem se perpetuar no Cerrado; aos petistas e coligados que zombam das leis pra fincar seus tentáculos na "casa da mãe Joana", a máxima de Machado de Assis: "O maior pecado, depois do pecado, é a sua publicação". E, haja publicação....
    Atendo-me ao Planalto Central, a bezerra de ouro do rei Midas e tantas falcatruas cabeludas que rendem ao casal 20 e seus apadrinhados centenas de processos, são provas incontestes da "ficha-suja" de quem, até a poucos dias (24/09), bradava aos vendidos eleitores:
    "Podem acreditar!!!!Sou candidato!!!"
    Claro, a astuta Piton continua candidatíssima. Ágora, de saias. Usando truque rasteiro, o veterano cacique sacou debaixo de seus lençóis a amada Weslian pra continuar encabrestando candangos descamisados com promessas de lotes no meio do Lago Paranoá. E, tomem favelas e criminalidade na modernidade de Niemayer...
    Diante de tanta desfaçatez "Memórias de uma puta" do aplaudido Gabriel G. Marquez, virou conto de carochinha.
    Avante povo!!! Ao combate!!! em 3 de outubro - de preferência trajando o negro do luto extensivo aos 5x5 do STJ que adiou 'sine qua non' decisão histórica que brecaria milhares de "fichas-sujas" de se aboletar no poder.
    Nada de azul ou vermelho. Pois, como preconizava o sábio Heráclito: " a esperança é que nada perdura para sempre..."

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