O destino de uma pessoa me parece atrelado ao nome e a tese me diz que ninguém pode se chamar Clara impunemente. Clara puxa luz, luz traz o sol, sol é vida, pulsão, calor do aconchego. Ser Clara é reunir e agregar, rir numa alegria espraiada e quente, olhar tanto as pequenas como as grandes coisas com nitidez, ser muito mais um spot do que um abajur. Muito diferente de encerrar uma Maria das Dores. Ou dos Remédios.
Como o sol não se faz de rogado e desconhece a discriminação, esquentando o mundo inteiro, uma Clara também percebe que há lugar para todas as gentes e, se pudesse, alargaria os pódios e colocaria neles os do seu afeto e admiração. O sol, astro sem temores, também conhecido como rei, não está nem aí para as questões da concorrência. Portanto, não gasta sua energia com miudezas.
Minha amiga Clara Favilla veste o figurino desses dois parágrafos. Mais: virou a modelo deles. Agora mesmo, na Europa com a filha Bebel, não se conforma em apenas desfrutar da viagem e, contando o que vê e sente diversamente dos guias turísticos, pois com graça e alma, tem a companhia dos que ficaram aqui. Com vocação para trio elétrico, por onde passa faz crescer os interessados que se amontoam para ouvir suas histórias. Comportamento solar, generoso, típico de quem gosta de dividir com o outro.
Mal começa o dia e ela tuita um alô para os amigos. Volta de um passeio e conta, no seu blog, o gosto da comida que provou . Acompanha de lá o processo eleitoral daqui e não se despe do jornalismo nem na hora do banho. Jornalista é um ser cheio de opinião, crítico até a medula, dá de ombros para a hierarquia e não faz barretada para poderoso nenhum. Tem jeito de dono da verdade, uma pitadinha de arrogância, vocação para o deboche e a ironia. Jornalista bonzinho não existe ou errou de profissão. Interessantíssimos, estimulantes. Clara também é assim.
Devo a ela algumas alegrias, como o encontro virtual com duas mulheres queridíssimas, as jornalistas Memélia Moreira e Mirian Macedo. A primeira, que dividia seus amores entre o Maranhão e a França, mora hoje nos Estados Unidos. Vivia rindo, uma delícia. Mirian, agora em São Paulo, me chega sempre com os olhos muito abertos e exibindo uma ansiedade quase juvenil. Adorava o Pacotão, bloco de sujo candango que reintroduziu a sátira política no carnaval em plena ditadura militar. Trocamos muito as três, sempre com riqueza. Clara foi também uma incentivadora deste blog desde a primeira postagem. Ah! isso me lembra domingo de praia.
Clara Solar Favilla também é uma bola de emoção. Chora fácil sem espernear, fala do amor com gosto e, juro, arrepia três vezes por dia, no mínimo. Às vezes, literalmente leva tombos mas sai do chão rindo do próprio mico. Gregária e afetiva, está sempre rodeada de amigos. Esquecida e um pouquinho estabanada, não tem facas amoladas na cozinha e muito menos um espremedor de laranja, mas recebe deliciosamente. E adora sair por aí, conhecer tudo, fuçar tudo, e contar tudo com humor, talento e inteligência. É a Clara Claramunda. Se possível, diria aos pais dela: Obrigada, valeu mesmo. E meus parabéns.

Leda Flora, um italiano apaixonado pelo Brasil revelou-me a palavra que ele achava mais bonita em português: delícia. Eu descobri, encantada, que ele tem razão. Quando li seu post, 'delícia' foi a primeira palavra que me veio às mãos. Que delícia de blog, que delícia de amiga(s), que delícia de cibernética que reuniu vidas que a vida separou. Escreve, eu virei sempre te (l/v)er.
ResponderExcluirPS: Tu (não) és suspeita para falar de Clara. Sabes do que falas. Eu a vi, linda. Em Minas, dizemos: "Não está furtando, está herdando". Eu confirmo.
Que lindo texto sobre a Clara, Leda querida! A Clara é um encanto de pessoa. Generosa e querida, não deixa ninguém sem uma resposta cordial e até quando critica é generosa! Linda pessoa.
ResponderExcluirE você Ledinha continua sendo a nossa musa.
beijos e mais beijos
Graça
Da Clara gosto do nome e da pessoa.
ResponderExcluirE ler seu blog sobre a Clara só aumenta e confirma a alegria de conhecer as duas.
Beijos,
Leda
Leda Flora,
ResponderExcluirDoce e suave leitura. E Clara, também.
Beijos
para autora e para a personagem.
Carlinhos
Fiquei emocionada com seu texto, Leda Flora. A Clara é realmente essa clara, transparente e doce pessoa. É um privilégio tê-la como amiga.
ResponderExcluirNélia Marquez de Oliveira
Depois de muitos anos reencontrei Clara e foi como se tivessemos nos visto "na semana passada". Ela é tudo isso que você falou, Leda, e muito mais. Também foi graças a ela que reencontrei, aqui na rede, gente querida como Memélia e você. Será que lembra de mim? Não importa. O importante nesse momento é que me emocionei muito com suas belas palavras e reforçaram uma crença - como é bom ter amigas.
ResponderExcluirQue lindo!!!! Clarinha certamente é clara e se faz presente como o sol.
ResponderExcluirFeliz de ter a irbã e a bãe! E certamente devo agradecer a um dos pais por ter as duas.
Amor por vocês!