quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

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Festa bonita, casa mais ainda. Animada, conversava num grupo pequeno e o rapaz se aproximou. Fomos apresentados. Pouco depois alguém contou que era um especialista em aplicação na Bolsa de Valores e, de cara, me passou pela cabeça que fazia tempo eu queria entender um pouquinho do assunto e dirigi a ele algumas perguntas. Soube que formava pequenos grupos de investidores e trabalhava para o bolo de dinheiro crescer. Quase um hobby, pois se dedicava a outra atividade profissional.
Nem me demorei muito ali, pois queria circular, mas antes de deixar o grupo ele me deu um cartão e ficamos de nos falar. Em casa, guardei numa caixa de madeira marchetada do designer Tunico Lajes, meu amigo de fé. Ficou esquecido ali um tempão mas, um belo dia, praticamente o descobri em meio a outros e resolvi : Alô, tudo bem? Lembra.... A primeira surpresa foi a diferença entre o rapaz suave da festa e o jogador profissional.
O jeito de falar, duro. E bota duro nisso. Falei em aplicar uma quantia xis e ele me disse que, no mínimo, só multiplicada por três. Foi explicando que bolsa exigia sangue frio e, mesmo se a vontade fosse arrancar os cabelos e correr dela no momento ruim, a permanência se fazia indispensável. Eu deveria esquecer o dinheiro por dez anos. E seu eu morrer antes? Me senti ousada com a pergunta que nem teve resposta razoável.
A conversa prosseguiu e me deu a impressão de que dinheiro era tudo e mais alguma coisa para ele. Falava rápido e sofregamente enaltecendo a importância de acumular e em nenhum momento sugeriu que pudesse servir para outra coisa. Usufruir se transformava em apenas ter, a síndrome do Tio Patinhas no meu ouvido. Na hora, arrepiei; agora, concedo a ele o benefício da dúvida, pois deve gostar de algo mais. Afinal, não se pode fazer afirmações definitivas sobre ninguém. É leviano.
Bem, combinei com ele alguma coisa e não cumpri. Cheguei até a preencher uns formulários que não sairam da prateleira da estante. Aliás, nunca mais nos falamos. Por um tempo, senti a necessidade de esquecer de aplicações e investimentos. A experiência me jogou para a realidade de monges renunciantes hindus que andam descalços, enrolados em panos e com uma vasilha na mão à espera de uma alma boa que lhes dê comida. Para mim, muito semelhantes aos adoradores do dinheiro, pois radicais na questão material. O tudo e o nada, extremos de uma polaridade. Imunes à harmonia.
Ninguém desconhece a importância do ter, pois não se vive de escambo. Mas não custa lembrar que há crimes passionais, de fundo religioso, dos enfurecidos, mas predominam os motivados pela posse do tênis do menino, da bolsa da mulher. As guerras entre países ou na favela informam que o poder econômico se camufla nos mais variados discursos mas está sempre lá. E se poucos têm muito e muitos têm pouco, o dinheiro é realidade mal resolvida no mundo e, quem sabe, razão maior de muita dor.

2 comentários:

  1. OLHOS DE CURUMIM

    Quando a natureza despertou
    Ele adormeceu em devaneios
    Bombardeado com os seus encantos

    Despertado ele passou a observá-la
    Em cada detalhe
    Em cada canto.

    Seus olhos: eram o sol
    A terra: sua pele trigueira
    Seus cabelos: as matas
    Os rios: o sangue que lhe corria
    Seus pulmões: o ar fresco
    Sua voz: o vento
    A chuva... Seu pranto!

    Ele percorreu a floresta
    Subitamente, no meio do caminho
    A encontrou deserta -
    A natureza começou a chorar...

    Suas lágrimas caíram do céu
    Entristecendo o curumim.
    Ele apontou sua flecha
    E atirou ao infinito...

    ...Tupã a recolheu
    Encontrando uma mensagem:
    “Pai, perdoai-os porque eles não sabem o que fazem.”

    Dê: Agamenon Troyan
    (machadocultural@gmail.com )
    Parte integrante do livro (O ANJO E A TEMPESTADE)

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  2. Os ascetas me perdoem. $$$ é fundamental.
    Desde o dedo-duro Judas Iscariotes, ninguém passa sem o vil metal.
    Viver é caro, muito caro, mesmo só com o básico.
    E, nas aplicações das poucas sobras, aquela decepção: rendem mais pra governo e bancos.
    Será que o melhor seria deixar o velho e bom dinheirinho debaixo do colchão, como faziam nossos avós? E a inflação?
    O maior problema hj é a nova expectativa de vida – longa e nada bem, ancorada por modernas tecnologias e medicamentos que esticam a morte até não poder mais.
    Quantos centenários ou quase continuam vivendo sem vontade de conhecer o Além? Raros, porém, na ativa como o insuperável Oscar Niemayer (103). Ou como a mãe de minha amiga, Eloah, a quem damos a metade dos bem vividos 102?
    A grande maioria porta doenças graves, depende de terceiros e vive fora do ar.
    Então, pra que essa correria louca por dinheiro?
    Em "viver ou juntar dinheiro", Max Gehrunger apresenta uma receita simples e prática pra enricar em 40 anos:
    menos um cafezinho/dia - economia de R$ 30 mil;
    menos uma pizza/mes - economia de R$ 12 mil; e, assim por diante.
    Na ponta do lápis, ele concluiu que teríamos meio milhão na conta bancária nas últimas quatro décadas, desde que: não tivessemos viajado, tomado tantas, comprado belos e caros vestidos e sapatos e tantos supérfluos.
    Com essa economia o que vc faria?
    Eu, tudo que não foi feito. Me esbaldaria em superfluos, viajaria muito, beberia todas, e faria o que me desse na telha. Se bem que, meio milhão hj, não é lá grandes coisas e não valeria qualquer sacrifício.
    Sugestão do economista aos jovens e brilhantes executivos: não se estafem tanto pra adquirir bens materiais. Caso contrário, chegarão aos 60 com uma montanha de $$$, mas sem ter vivido a vida e suas maravilhosas consequências.
    Vamos tomar um cafezinho, Ledura?

    Vamos meter o pau no $$$, gente!!!!!!!!

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