Quando um amor termina, o inventário costuma ser negativo. Difícil para as duas pessoas, isoladamente, listar as boas coisas, as emoções iniciais, o tempo em que tudo fluía e o melhor momento do dia era o estar com. Quase impossível, nos primeiros tempos de separação, reviver as ações generosas, a crise de riso, o encantamento mútuo, a viagem perfeita, aquela festa, o presente surpresa.
A hora é de dor e vazio que, na grande maioria dos casos, não se preenche a toque de caixa. A hora é de raiva e desapontamento e a pergunta recorrente começa por como é que pode alguém ter falado aquilo, feito aquilo e vai por aí. Como é que pode alguém aguentar um negócio assim, permitir essa loucura. A lista de desapreços emerge sem dó nem piedade.
A hora é de dor e vazio que, na grande maioria dos casos, não se preenche a toque de caixa. A hora é de raiva e desapontamento e a pergunta recorrente começa por como é que pode alguém ter falado aquilo, feito aquilo e vai por aí. Como é que pode alguém aguentar um negócio assim, permitir essa loucura. A lista de desapreços emerge sem dó nem piedade.
Quase todos tropeçamos. Um entende que o outro sabe perfeitamente o que este quer e simplesmente ignora. Mito. Não sabemos o que vai na mente do outro. Deixamos de falar sobre o que nos incomoda quando o ideal seria abrir a boca e, sem raiva ou agressão, escolhendo as palavras, dar o recado. Permitimos muita coisa entalada na garganta, o que concorre, ao final, para o acúmulo de mágoas.
As criaturas agora distanciadas se dão ao trabalho de reviver situações intoleráveis e, na mente, criar novas respostas, outras reações. Uma espécie de reparo que, com certeza, impediria que as coisas acontecessem com gosto de descalabro. A fantasia do conserto entre aspas não leva a nada e nem a lugar nenhum, salvo aprofundar o sentimento ruim daquele momento.
Deixar de ser objeto de desejo de alguém que foi tão próximo machuca às vezes mais do que a separação em si. A pessoa já não serve para ouvir, não serve para buscar uma solução para um problema, não serve mais como companhia para uma noite divertida, para dividir a emoção depois de um filme lindo, não é mais uma referência intelectual, não vale mais nada sob os lençóis. O amor próprio esbofeteado, o narcisismo ferido de morte. Por ser assim, a voz do povo sempre ensinou: só o tempo acaba com isso.
Se fosse fácil ou possível retirar os componentes emocionais da separação, a vida correria bem mais mansa, como um rio pequeno. Se as pessoas conseguissem perceber que ninguém, inclusive a ex-cara metade, fez ou deixou de fazer isso e aquilo porque não conseguiu uma outra solução, ufa! Aliviava. Pois é assim mesmo que acontece, nossas reações raramente são ideais apenas porque não temos severo controle sobre elas. Uma palavra e um olhar são suficientes para disparos imprevisíveis, causadores de desavenças. E há muito mais do que isso no mundo a dois. Quando a razão calma entra em cena, o estrago já está feito. Afinal, relações se assemelham a louças quebradas. Usa-se a cola mas ficam as marcas. Perdoar e esquecer, dois atos difíceis.
Será que existem pessoas tão equilibradas que se saem bem de situações íntimas constrangedoras? Que têm talento para perceber que o outro passou do limite por um impulso e, não, pelo prazer de aprofundar o estrago? Que são tão maduras e conscientes que suportam a frustração e conseguem dar a volta sem sofrimento ou só um pouquinho? Talvez. Só me ocorrem os escritores pelo simples fato de entrarem em cena depois, contando a história acontecida.
As criaturas agora distanciadas se dão ao trabalho de reviver situações intoleráveis e, na mente, criar novas respostas, outras reações. Uma espécie de reparo que, com certeza, impediria que as coisas acontecessem com gosto de descalabro. A fantasia do conserto entre aspas não leva a nada e nem a lugar nenhum, salvo aprofundar o sentimento ruim daquele momento.
Deixar de ser objeto de desejo de alguém que foi tão próximo machuca às vezes mais do que a separação em si. A pessoa já não serve para ouvir, não serve para buscar uma solução para um problema, não serve mais como companhia para uma noite divertida, para dividir a emoção depois de um filme lindo, não é mais uma referência intelectual, não vale mais nada sob os lençóis. O amor próprio esbofeteado, o narcisismo ferido de morte. Por ser assim, a voz do povo sempre ensinou: só o tempo acaba com isso.
Se fosse fácil ou possível retirar os componentes emocionais da separação, a vida correria bem mais mansa, como um rio pequeno. Se as pessoas conseguissem perceber que ninguém, inclusive a ex-cara metade, fez ou deixou de fazer isso e aquilo porque não conseguiu uma outra solução, ufa! Aliviava. Pois é assim mesmo que acontece, nossas reações raramente são ideais apenas porque não temos severo controle sobre elas. Uma palavra e um olhar são suficientes para disparos imprevisíveis, causadores de desavenças. E há muito mais do que isso no mundo a dois. Quando a razão calma entra em cena, o estrago já está feito. Afinal, relações se assemelham a louças quebradas. Usa-se a cola mas ficam as marcas. Perdoar e esquecer, dois atos difíceis.
Será que existem pessoas tão equilibradas que se saem bem de situações íntimas constrangedoras? Que têm talento para perceber que o outro passou do limite por um impulso e, não, pelo prazer de aprofundar o estrago? Que são tão maduras e conscientes que suportam a frustração e conseguem dar a volta sem sofrimento ou só um pouquinho? Talvez. Só me ocorrem os escritores pelo simples fato de entrarem em cena depois, contando a história acontecida.

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