Como num ônibus, pessoas entram e saem da vida da gente. Queremos reter muitas delas porque nos fazem sentir bem, aceitas, queridas. Quando funciona de um lado, costuma acontecer a mesma coisa do outro. Gostamos delas, de conversar com elas, da inteligência e da vivacidade delas, e nossos encontros nos divertem sempre. Mas elas descem em algum ponto da linha e somem. E nosso objetivo de contato maior não se cumpre. Uma pena.
Essa realidade me intriga. O que se fez para uma amizade não caminhar? Penso que a resposta está em colocar apenas um não nesta pergunta. Mas me parece simplista parar por aí. Se a gente procurar, com certeza encontra outras coisas, tão banais como preguiça ou um pouquinho menos, como falta de inciativa. E o pior é o surgimento de qualquer coisa como uma contaminação, que se traduz, na prática, por afastamento, sem motivo, de pessoas que se querem bem.
Quanto mais a gente se relaciona com alguém, mais trocas se realizam. Tudo se multiplica. Vale contar a história mais boba, o caso mais escabroso. Mesmo que o show não tenha as melhores indicações, conferimos juntos. E se a exposição é imperdível, claro que vamos vê-la. Alguém adoeceu, visitamos com a caixa de chocolate na mão, e também corremos para mostrar as fotografias da última viagem.
O hábito penetra as amizades de um jeito saudável e a gente nem se dá conta. De repente, estamos imersos no sentimento fraternal, gostosamente presos. Alguém, sem lei nem decreto, está e faz parte de nossa vida, e não queremos revogar nada. Não existem disposições em contrário. E para esse alguém sempre há tempo, no mínimo um tempinho. Sem falar no tempo maior da própria existência. Creio que todo mundo experimenta esses sentimentos, exceto os loucos, os sem-razão.
E é aí que o bicho pega. Como transformar em hábito algo incorpóreo como a sensação do prazer de estar junto? Não nos ensinaram em casa e nem na escola. Mas querendo e dando tratos à bola, vamos perceber um caminho. Se não der, podemos escolher outro. O mais importante é o coração aberto, o medo da rejeição posto de lado e, acima de tudo, agir sem seduzir. Sedutores, me ensinaram um dia, não estabelecem vínculos afetivos porque o narcisismo deles não permite. Haja divã.
Essa realidade me intriga. O que se fez para uma amizade não caminhar? Penso que a resposta está em colocar apenas um não nesta pergunta. Mas me parece simplista parar por aí. Se a gente procurar, com certeza encontra outras coisas, tão banais como preguiça ou um pouquinho menos, como falta de inciativa. E o pior é o surgimento de qualquer coisa como uma contaminação, que se traduz, na prática, por afastamento, sem motivo, de pessoas que se querem bem.
Quanto mais a gente se relaciona com alguém, mais trocas se realizam. Tudo se multiplica. Vale contar a história mais boba, o caso mais escabroso. Mesmo que o show não tenha as melhores indicações, conferimos juntos. E se a exposição é imperdível, claro que vamos vê-la. Alguém adoeceu, visitamos com a caixa de chocolate na mão, e também corremos para mostrar as fotografias da última viagem.
O hábito penetra as amizades de um jeito saudável e a gente nem se dá conta. De repente, estamos imersos no sentimento fraternal, gostosamente presos. Alguém, sem lei nem decreto, está e faz parte de nossa vida, e não queremos revogar nada. Não existem disposições em contrário. E para esse alguém sempre há tempo, no mínimo um tempinho. Sem falar no tempo maior da própria existência. Creio que todo mundo experimenta esses sentimentos, exceto os loucos, os sem-razão.
E é aí que o bicho pega. Como transformar em hábito algo incorpóreo como a sensação do prazer de estar junto? Não nos ensinaram em casa e nem na escola. Mas querendo e dando tratos à bola, vamos perceber um caminho. Se não der, podemos escolher outro. O mais importante é o coração aberto, o medo da rejeição posto de lado e, acima de tudo, agir sem seduzir. Sedutores, me ensinaram um dia, não estabelecem vínculos afetivos porque o narcisismo deles não permite. Haja divã.

Leda,
ResponderExcluirQuando a gente lê um texto bom e bonito fica sempre a exclamação: mas eu é que queria escrever isso! No fundo, um pouquinho de inveja, no resto, um baita orgulho. Quem escreveu é minha amiga. Amiga que dirige um grande ônibus, onde só vou descer no ponto final. Abreijos, Ana Maria
Leda,
ResponderExcluirqueria muito que UMA PESSOA que vc sabe quem é, lesse este artigo, principalmentye o último parágrafo. Eu ADOREI! Sou uma passageira de seu onibus!
Sonia Novaes
Leda,
ResponderExcluirtô que nem a Aninha: só desço no ponto final. Mas acho mesmo que precisamos nos transformar num hábito. Eu quero!
Beijos
Suzana
Beleza pura. Penso que perdemos muitas amizades por preguiça em regá-las continuamente. Não se perde uma verdadeira amizade no tempo. "Amigo é coisa pra se guardar no fundo do coração", como canta maravilhosamente Milton Nascimento. E é assim que pretendo guardar o meu grande amor e admiração por vc, querida amiga. bjs da sua amiga do coração.
ResponderExcluir