quinta-feira, 2 de julho de 2009

carla bruni

Quando historiadores escreverem amanhã sobre a França de hoje, creio que todo e qualquer livro não escapará de um capítulo sob o título Carla Bruni. Por onde passa, a primeira-dama francesa, legítima italiana e mulher do presidente Nicolas Sarkozy, magnetiza pessoas e câmaras fotográficas e, até o momento, vem respondendo de um modo que aparenta intimidade e conhecimento do mundo oficial. Mais: do mundo das grandes potências, o G-8.
Com um gestual revelador de educação de berço, figurino perfeito, postura adequada e sorrisos discretos, Carla Bruni encanta o mundo e extrapola a própria beleza. Garante mídia a cada passo sem o menor esforço e não se furta a pequenas entrevistas, como ocorre com frequência com outras no mesmo posto. Além disso, parece indicar que, como mulher, está muito bem ao lado do marido. Gosta dele.
No mundo, há pessoas que marcam pelo pensamento traduzido em idéias, pelo talento artístico, por realizações, por descobertas revolucionárias, pela capacidade de fazer o bem e o mal. Outro grupo se transforma em foco pela maneira de ser, em geral inovadora e capaz de fabricar seguidores. Sempre quebra algum tabu sem teorizar, sem explicar, espontaneamente. Penso que Carla integra este último.
O mundo ocidental não esqueceu uma frase antiga, dos tempos do império romano: Não basta ser honesta, a mulher de Cesar precisa parecer honesta. Se de fato foi pronunciada, não sei. Mas a conheço desde menina. Com jeito de lei, foi cumprida por séculos e virou uma espécie de vestimenta de primeira-dama. E o que nos habituamos a ver foram mulheres presidenciais muito semelhantes, apertadas pela cinta oficial, mais para mudas, sem passado, sem desejos e sem vida própria, tipo madame fulano de tal e ponto.
E então aflora Carla Bruni num streap surreal, belíssima, cantora e compositora, rica, mãe solteira em 2001, ex-modelo de sucesso, contemporânea de Claudia Schiffer, Naomi Campbell, Christy Turlington e Kate Moss, nua em fotos espalhadas pelo mundo todo, ex-namorada de Mick Jagger, Eric Clapton, Donald Trump, Kevin Costner, Vincent Perez. E vira tudo de cabeça para baixo, rasgando a máxima romana.
O começo da vida de Carla também foge ao padrão. A concertista Marisa engravidou de um amante, que vive no Brasil desde os anos de 1970, e ela nasceu. Mas ganhou um pai, o compositor e industrial italiano Alberto Bruni Tedeschi, milionário fabricante de pneus e explorador de petróleo. Em 1975, a família, por medo e precaução, partiu para o exílio fugindo das Brigadas Vermelhas, grupo terrorista de esquerda especialista em sequestros. Por conta disso, Carla estudou na Suiça e, depois em Paris, chegou à Sorbonne, mas sem concluir o curso superior. Preferiu largar os estudos em 1988 pelas passarelas. Ia à Itália nas férias, e adorava o castelo monumental da família.
A história da bela parece dizer que fez o que bem quis e de nada se arrependeu, pois não se preocupou em esconder fatos de sua vida. Aparentemente, sacudiu os ombros para a divulgação de sua trajetória depois de virar primeira-dama. Carla é marco dos novos tempos, a própria quebra de protocolo, e não esconde que seu maior desejo hoje é voltar aos palcos para cantar assim que Sarkozy encerrar a gestão presidencial. Afinal, fez uma concessão e atualmente se restringe a gravar suas músicas sem apresentá-las ao vivo.
Carla Bruni é tão somente uma mulher moderna como milhões de outras. Um pouco mais bonita, sublinhe-se. A única diferença é que assumiu com gosto, graça e liberdade seu lugar na França e no mundo e depois dela os palácios presidenciais não serão mais os mesmos. Não existe a menor possibilidade.

2 comentários:

  1. Perfil fidelíssimo, Ledura. Novamente vc colocou no teclado sua genialidade profissional e a máxima: quem foi, nunca esquece. Tb sou tiete dessa mulher maravilhosa. Parabéns. bjs

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  2. Leda, será que ela não daria umas aulas para Dona Marisa?
    Sonia

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