domingo, 15 de novembro de 2009

mulheres maduras gostam de meninos

Em 1899, aos 52 anos, Chiquinha Gonzaga se apaixonou por um menino de 16, João Batista, e literalmente o adotou. Viveram juntos até 1935, quando a compositora, regente e pianista morreu. Antes dele, a danada tinha largado o primeiro marido e o segundo também, demonstrando ao povo do Rio de Janeiro que podia viver conforme a marchinha de sua autoria que sacudiu os cariocas no último carnaval do século XIX: "Ô abre alas, que eu quero passar, Ô abre alas, que eu quero passar..."
Chiquinha passou para a história brasileira como uma mulher curiosíssima que deixou de lado as convenções para ser pioneira em tudo aquilo em que se meteu, esbanjando um talento que ainda hoje merece estudo e pesquisa. Viveu às próprias custas com sua música, dando aulas e se apresentando, frequentou rodas de lundu e umbigada, típicas dos escravos, e se uniu ao grupo de Joaquim Callado, ajudando a parir o chorinho brasileiro.
Mas carregar João Batista pra casa, com certeza, deve ter sido a maior umbigada da artista e prova inconteste de que mulheres maduras gostam de meninos. Quantas antes e depois de Chiquinha desejaram de verdade um piteu mas não se atreveram? E quantos meninos olharam e ainda olham comprido para damas sérias e respeitáveis ? A literatura conta histórias assim, as artes plásticas retratam a fantasia. Afinal, meninos são lindos e o desejo por eles é compreensível. Normal.
No tempo de Chiquinha, mulheres se casavam com homens mais velhos. Mandava a tradição. Em meados do século XX, a diferença de idade entre um par caiu bastante. Mas quando as mulheres partiram para a luta por mais espaço no mundo com aquele estardalhaço tão típico delas, não demorou muito e jogaram no lixo a história do mais velho com a mais nova. Se a mulher estudava, trabalhava, ganhava o seu, não precisava de ninguém para lhe ditar regras de comportamento. Escolhas, ora bolas, são pessoais.
E assim novos casais invadiram o mundo. No início, causaram espanto. Hoje, virou lugar comum. Pequenas diferenças de idade costumam ser absorvidas sem questionamento em qualquer grupo social mas, quando exageradas, ainda provocam surpresa. Se Chiquinha Gonzaga estivesse hoje de mãos dadas com João Batista na nossa frente, por certo estranharíamos alguma coisa mas talvez não olhássemos para trás ao passar por eles. Mas isso vale também para um cabeça branca desfilando de aliança com uma moçoila. Empatou geral.
Desejar um homem mais novo é não dar as costas para a aventura da vida. É ficar de frente para a fantasia da cobiça e, se for o caso, transformá-la em realidade. Não necessariamente. Mulheres contam que experiências desse tipo têm um gostinho diferente porque garotões são engraçados e esperam delas algo muito além do que vivenciaram com meninas. Como se experiência fosse coisa do outro mundo. Assim, as maduronas são estimuladas a criar e acabam se esmerando. Resultado: a experiência sexual fica mais rica. Uma delas me disse rindo: "Espantar um namoradinho é uma delícia, supreender um namoradinho é demais!"
O único problema de lidar com tais situações é cair na síndrome Susana Vieira e resvalar no mico e no ridículo. Apreciar a companhia jovem tem tudo a ver, mas cair na esparrela de tapar o sol com a peneira e agir sob o lema e foram felizes para sempre merece cautela, já que o lance é desfrutar e, não, exibir para a platéia. Afinal, Chiquinha Gonzaga foi primeira mas única. E já morreu.

Um comentário:

  1. Leda, mais um texto genial.
    Mas sabe, eu tive uma colega de trabalho no Rio de Janeiro, decada de 70,que nas horas vagas era garota de programa.
    Ela , de cima de sua experiencia e sabedoria dizia: ATÉ PARA SER PUTA A GENTE TEM QUE TER CLASSE.
    PARA NAMORAR GAROTÕES TAMBÉM VALE A DICA. E NA VERDADE VALE TAMBÉM PARA OS VELHOSTES, CONSUMIDRES DAS LOLITAS DO TEXTO ANTERIOR.Há que se ter classe sempre. sonia Novaes

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