A mulher com mais de 50 anos faz curso de crochê, passeia muito nos consultórios médicos, não come um torresminho, fecha-se para a aventura, mede a pressão com frequência, só quer saber dos netos, adota um figurino mais sóbrio, pára de dirigir à noite? Ou isso não passa de estereótipo e sequer existiu na vida das nossas mães e avós? E como vive e o que deseja agora a mulher madura?
Sem o IBGE ao lado, não há pesquisa e muito menos conclusões. O jeito, então, foi conversar com três mulheres, entrar um pouco na intimidade delas e recolher sentimentos, sensações, quereres. Um retrato menor que o 2 x 2 e mesmo assim revelador de tendências. Elas continuam no jogo da vida e não pensam hoje em pendurar a chuteira. Entretanto, querem mais a paz e menos a turbulência .
Casada sem filhos, profissional liberal, 60 anos, Elvira não sente a idade como um peso: "Faço o que fazia aos 40 e com mais qualidade porque sou menos ansiosa e mais consciente da importância do emocional. Priorizo a vida tranquila, gosto da introspecção, do subjetivo, cuido do corpo e da alimentação, e não quero muita obrigação daqui pra frente". Casou aos 35 anos com a independência construída e, no lugar de buscar alguém para pagar suas contas, optou por carinho, atenção e o sexo: "Não gosto de rotina e sou mulher de tesão. Somos só nós dois e no banho, na piscina, na sala e na cozinha nos sentimos. Em média, sexo duas vezes por semana, com a ajuda da reposição hormonal. A fantasia sexual vai mudando mas a velhice não é minha personagem por enquanto. Aliás, nunca pensei que chegaria aos 60 assim".
"Hoje sinto que me falta tempo e juventude e sei que não posso mais ir a qualquer lugar, não posso subir o Himalaya. Não tenho nem preparo nem força física e nem resistência. Antes, enchia a cara. Agora, se aumento a dose, são dois dias para me recuperar. E me fazem falta o porre com os amigos, as noitadas, a maluquice", conta Andréa, 60 anos, três casamentos desfeitos, três netos e muito trabalho no dia a dia. O maior peso foi a entrada na menopausa: "Paixão e tesão arrefeceram, pela ausência de reposição, e o sexo perdeu a importância de antes. Mas seria bem-vindo hoje porque é muito bom". Embora se sinta mais em paz e centrada, percebe que abriu mão de muita coisa: "Paquera é coisa boa mas já não faz tanta falta". De repente, parece que dá um pulo: "Odeio meus 60 anos, queria ter parado nos 23, 27".
Lúcia, aos 54 anos, é só animação: "Minha auto-estima está lá em cima, vivo recebendo elogios, no meu trabalho, então, é impressionante. E olha que nunca me achei bonita." Ao olhar para frente, pensa em se aposentar, se divertir, viajar mais, consumir cultura e num namorado legal. "O que não fiz antes, quero agora, pois não sei o tempo que ainda tenho. Quero alegria, paz, prazer". Descasada e com uma filha, malha a semana inteira, capricha na alimentação, fez recentemente uma plástica na face e frequenta a dermatologia. "E não abro mão de suplementos, canela com mel, linhaça e cloreto de magnésio", ensina.
Ela diz olhar o próprio corpo com boa vontade: "Me acho gostosa de comer e tenho pena(rsrsrs) dos homens que não me comem. Aos 25, pouco sabia. E hoje só não aprende quem é burra, com tanta informação disponível. Mas sou meio chata pra homem, não sou galinha". Lúcia bate palmas para a reposição hormonal e informa que gostaria de ter 45 anos e a cabeça de hoje:"Sou um caso à parte, não queria nem 30 nem 35. Sou imatura".

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