segunda-feira, 8 de março de 2010

buá!!! minha gata fugiu!!!

Tania é um tipo de mulher que não economiza emoções. Não importa se situadas ao lado da dor ou da alegria, ela está sempre preparada para alardear esses sentimentos que brotam do seu interior como força da natureza. Se alguém estranha ou mesmo a critica, não se dá por achada e, na oportunidade seguinte, procede da mesma maneira. Trocando em miúdos, faz um banzé por coisa pouca. E depois... depois ela ri e conta para os outros.
No último sábado, após boas reclamações contra o aquecimento global e morrendo de calor neste fim de verão, recebeu em casa três técnicos para a instalação de um sistema de ar condicionado. Mal começaram os procedimentos, Tania percebeu a porta de serviço aberta e, no ato, pensou em Nina, a gata. Chamou por ela, procurou-a um pouquinho e, de repente, estava aos gritos e entrando e saindo de todos os cômodos. Enlouquecida, resolveu que Nina, independente como seus iguais, fugira. Talvez indignada com a invasão masculina no seu pedaço.
Àquela altura, Tania chorava convulsivamente querendo Nina ao seu lado. Arrancava os cabelos. Envolveu-se em segundos num poderoso estado de perda para o qual não havia solução à vista. Despencava à vista dos três homens que, entre constrangidos e solícitos, se dispuseram a ajudá-la. O difícil, para o trio técnico, foi bolar alguma coisa que levasse Nina aos braços da dona, já que seu choro gritado dificultava a comunicação. Além do mais, o forte deles, a climatização de ambientes, não tinha nada a ver com a tarefa quase policial de desvendar o sumiço de uma gata.
Mas um deles teve a ideia mãe: se a porta de serviço estava aberta, Nina teria descido todos os andares e se escondido na garagem no bloco. Fantasiados de experts em comportamento felino, o trio e a chorona passaram mais de 30 minutos no ambiente poluído, deitaram no chão para vistoriar os carros, afiaram a percepção para ouvir miados e voltaram ao apartamento com ar de fracasso, enquanto o calor do meio-dia lembrava que a aparelhagem mal saíra das caixas.
De repente, um dos técnicos entrou no quarto de empregada para alcançar o banheiro e, impulsionado por um faro quase canino, olhou embaixo da cama. E Nina estava lá, quietinha, encolhida. Como um heroi, recolheu-a e, aos gritos, correu para Tania: Achei! Achei! Ela chorou mais ainda abraçada à bichana, que não parecia nem aí para tanto espalhafato. Inchada, vermelha e feliz, Tania convidou o trio para uma comemoração: abriu cervejas geladérrimas, levou para a sala nozes e amendoim torradinho, adorou a companhia deles, e o sistema de ar condicionado e o almoço tiveram um atraso de quase duas horas.
Toda mulher tem direito ao desespero pelo desaparecimento de um animal de estimação. Direito provisório ao faniquito e à loucura. Direito ao medo da barata e do rato. Direito às lágrimas no cinema, na cerimônia de casamento da amiga, ao abrir a caixinha de veludo que abriga uma joia, diante do cartão apaixonado que acompanha as rosas. Direito ao medo do trânsito, da violência da rua, pelo fim de um caso de amor. Direito à emoção quando o filho sai do seu corpo e, mais tarde, na sua formatura. Mulher tem esses e outros direitos, tão inerentes ao feminino, como também ir à luta, passar por milhões de dificuldades e desfrutar do sucesso. E neste 8 de Março, na pele de uma Tania chorona, doida, destemperada, espontânea, linda, me uno a todas e digo oi! Pois festejar é preciso.

Um comentário:

  1. Me soladarizo com Tania. Já tive nesta vida mais de 15 gatos, a maioria gatas. Uma vez perdi uma gatinha siamesa linda, Nikita. Até hoje doi om meu coração quando me lembro dela, esperta, inquieta e inteligente.
    Acho até que foi roubada. Um beijo para Tania. Um beijo para Leda.
    Sonia Novaes

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