Resolvi aprender hoje, definitivamente, o quer distingue uma gripe de um resfriado. A gripe joga a pessoa na cama e possui aquele conjunto de sintomas que ninguém quer sentir - intensos, incapacitantes e duradouros, enquanto o resfriado é ameno perto dela pois, embora gere cansaço e incomode o nariz, permite que a pessoa prossiga na sua rotina, desde que não seja, por exemplo, um maratonista, ou trabalhe num estúdio com ar condicionado a mil.
Então posso contar, sem erro, que peguei um resfriado que não me fez sucumbir sob os lençois, mas me tirou um pouco da animação durante a última semana. Acontece que sou fiteira, palavra que ouvi bastante na infância e significa pessoa chegada a dramas por pequenas coisas, que faz fita. Depois de brincar por minha conta e risco de dicionário, procuro o Aurélio e descubro que a velha palavra significa fabricante de fitas, galanteador. Ih, era erro das minhas avós. Tudo bem, mas não volto atrás porque família é família.
Tenho enorme atração pelo que não é científico e já li e ouvi algumas coisas sobre esses males. Estou me lembrando de um mestre indiano, o Osho, para quem resfriado não é doença. Como apoio, lembrou que, se fosse, algum remédio resolveria o problema. Ele morreu em 1990 e, como até hoje ninguém descobriu uma medicação tiro e queda para acabar com ele, tudo indica que o cara tinha razão.
Já foi escrito também, de costas para o virus influenza e seu enorme poder de contágio, que gripes e resfriados são artimanhas do organismo para eliminar toxinas do corpo na forma de mucos e através do suor que muitas vezes praticamente molha o sujeito da cabeça aos pés durante as ocorrências. Faxinado o corpo, a pessoa começaria tudo outra vez, como diria o Gonzaguinha, e melhor do que antes.
O mais intrigante para mim, no entanto, foi ter conhecido uma família adepta de uma terapia alternativa contra gripes que funciona maravilhosamente, embora seja anti-estética. Assim: ao perceber os primeiros sintomas, a criatura engole um laxante daqueles e, em seguida, faz uma sauna. Mas não precisa sair de casa, é só improvisar no box, utilizando um panelão de água fervendo e enrolando o corpo todo num cobertor. Meia hora de suadouro e pronto. Os virus desaparecem numa velocidade supersônica. Pura mágica.
Há também uma leitura emocional da dupla gripe-resfriado. O psicólogo Thorwald Dethlefsen e o médico Rudiger Dahlke, que escreveram a quatro mãos "A doença como caminho" (Ed. Cultrix), sustentam que algumas situações deixam as pessoas entupidas até o nariz, quase sufocadas, levando o corpo a viver literalmente o problema. Mal, o atingido se afastaria do problema e dos outros e se dedicaria um pouco a si mesmo.
Os problemas seriam expelidos na forma de mucos e outras secreções, aliviando fisica e emocionalmente o doente. E a comunicação bloqueada se restabeleceria aos poucos, colocando em ordem o organismo e a vida. Para os autores alemães, "corpo e alma saem fortalecidos da crise até a próxima vez em que as coisas ultrapassem o limite do nariz", pois gripes e resfriados não passam de expressões da elaboração de conflitos.
A gente pode duvidar de tudo isso ou simplesmente acreditar. Pouco importa. Mas é gostoso saber que inexiste um só ponto de vista em relação a qualquer assunto. O interessante, me parece, é a viagem e a fuga do lugar comum, especialmente do mundo inimigo dos virus, fungos, bactérias e quetais que, vira e mexe, derrubam todos nós.

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