É muito gostoso quando uma ideia nascida de pura brincadeira se materializa. E foi o que aconteceu com um pequeno grupo de moradoras de um bloco da superquadra 308 sul. Elas comentavam que a decoração de Natal estava simples demais e, ideia vai, ideia vem, surgiu entre risos a hipótese de se fazer um panetone gigante agarrado por um pinóquio vestido de Papai Noel. O grupo viajou, andou no trenó puxado pelas renas lá na Lapônia e, sem mais, decidiu colocar o desejo em três dimensões.
Ontem à noite, perto das 23 horas, lá estava o pinóquio no seu lugar e a alegria deu o tom. Ficou lindo, com uma folhinha de arruda atrás da orelha para não deixar dúvida nenhuma. A quadra inaugurou o que poderíamos chamar de decoração política de Natal. Sensibilizado, um morador já queria armar uma barraquinha e presentear os passantes com panetone de verdade e pago do próprio bolso. Deu o maior jeitão de festa.
Mas não foi fácil, não. Quem construiria a"homenagem" ao nosso querido governador e seus amigos gulosos? As moradoras foram atrás de um marceneiro mas, como ninguém desenhava, não deu para transmitir o desejo ao profisional. Zerou. De repente, a salvação: o ideal para o trabalho seria um carnavalesco e, garimpando, chegaram no Sergio, que já fez carnavais para a Aruc e, hoje, comanda a escola de samba da Vila Planalto.
O salvador apareceu no dia e hora marcados, lembrando um suiço e, depois de recolher os desejos, esboçou na hora a futura "alegoria". E a grana, de onde sairia? Adeptas de que mais vale um gosto do que um caminhão de abóboras, se dipuseram a bancar a brincadeira, mas também pediram a alguns vizinhos uma colaboração. Muito informalmente, é claro. Saiu até cara, mas muito maior foi a felicidade de vê-la em pé, na frente do bloco.
O governante pinóquio chegou em um caminhão. Precisou sair tarde da cidade satélite onde foi construído para escapar de um eventual transtorno: a possibilidade de ser parado pela polícia, que exige autorização para o transporte de alegorias. E quem autoriza? A própria. Reunidas em um apartamento e ligadas na entrada da superquadra, apaludiram quando surgiu o vagaroso caminhão. Depois foi o máximo, pois um carro veio junto e, em poucos minutos e sob o comando do carnavalesco Sergio e a participação de umas dez pessoas, o bonecão estava montado, lindo, lindo.
Hoje, jornais e emissoras de tevê estiveram em contato com Pinóquio Noel e seu panetone gigante. O danado ganhou a mídia. Todo mundo passa, dá uma paradinha e ri. E o mais engraçado é que a presença dele é a própria chave de galão. Quem não gosta de bandalheira aplaude, curte, espalha. Mas quem vê com alguma doçura o assalto aos cofres públicos, não tem como se manifestar. Para não dar bandeira. Afinal a OAB está de olho e o Ministério Público também. Então, o jeito é engolir o panetone.

Oi Leda,linda! Também estou com saudades de você. Vamos nos ver antes do natal? estou de recesso.
ResponderExcluirAdorei este teu post. Vou passar na 308 pra fotografar o Pinóquio e o panetone (hahahaha).
No recesso farei umas andanças por Brasília e satélites para escrever sobre a cidade que há 46 anos me abriga.
Fiz um adendo no meu post sobre as quadras mais antigas de Brasília, graças a seu comentário.
Beijos e saudades!
Ledura, esse pinóquio é demais e o seu texto idem. Adorei a idéia. Tb amei estar com vc e as extravagâncias:dois pedaços de pizza com coca. bjs minha querida
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