terça-feira, 11 de maio de 2010

espiritualidade

Observo em conversas o tanto que algumas pessoas estranham quando cai na roda a palavra espiritualidade. Reagem como se fosse uma dimensão quase suspeita, provavelmente por associá-la a práticas religiosas, rituais estranhos, fanatismo. Percebo às vezes que a entendem como crendice ou coisa de quem mal aprendeu a ler e, através dela, espera o milagre de uma vida melhor. Para muita gente, só em caso de doença grave a espiritualidade tem vez, e aí serve o santo, o pai dele, enfim, qualquer socorro.
Não obstante a negação, ninguém foge do espiritual. Não há como fazê-lo porque integra a essência do homem. Não custa lembrar que fora da polaridade a vida nem existe. Pode reparar. O belo é internalizado através do feio, o bom pelo mau, o claro pelo escuro, o açúcar pelo sal, a delicadeza pela estupidez, o céu pela terra, e vai por aí a interminável lista. E quando se olha o material, do qual ninguém também escapa, do outro lado da gangorra vislumbra-se o espiritual, independente de fé.
O pensamento é imaterial e todo mundo pensa. A emoção é um sentimento comum a todos. A contemplação e a criatividade também. E nem há necessidade de se falar no amor, que pode cruzar os dois lados ou não. A felicidade diante de um espetáculo artístico ou da natureza também se situa no espiritual. A fila é enorme, com lugar para a saudade, a compaixão, o êxtase, a melancolia, a tristeza, a alegria, e até a raiva. Enfim, coisas que a gente sente mas não vê ou toca, cem por cento ausentes de matéria.
Entre possuir o arcabouço espiritual e sentir-se espiritualizado há uma distância. Que por sinal bate na história de cada um. Se a pergunta vai para um católico, a resposta com certeza passará pela igreja dele. Vale o mesmo para outros religiosos e esotéricos das mais variadas correntes. Todos, claro, têm razão, pois a verdade única só existe na cabeça teimosa, fechada, de natureza bélica, que infelizmente existe por aí aos montes.
Mas a associação da espiritualidade com a religião já caiu de posição, abrindo um caminho novo. A filosofia vem se ocupando da questão e existem livros disponíveis sobre o assunto. Ninguém precisa de um pastor ou de um guru para harmonizá-la com o material. É muito mais uma questão de foco tanto no eu interior como no outro. Um olhar menos crítico e julgador. Uma compreensão das dificuldades pessoais de todos nós. Um respeito às diferenças. Um sentir-se em unidade com o todo, a natureza. Menos ego, maior aceitação da realidade. E, se der, fazer algo visando o coletivo.
Quem tenta solapar dentro de si a espiritualidade e vive correndo na direção do ter, numa exaltação ao material, comprando muito para preencher buracos internos mais adequados para o afeto, não costuma cortar no peito a fitinha da chegada e ganhar o pódio. A compra preenche um desejo e, no ato, abre espaço para o próximo, num moto contínuo que preserva exatamente os buracos. Ignorar o outro e a natureza mãe também não passa de equívoco. Olhar apenas para o alto faz da vida um arranha-céu e diz não ao solo no qual pisamos. Viver na outra ponta, fugindo do mundo e sua complexidade, beira a insanidade. Se podemos nos equilibrar entre o material e o espiritual, não há motivo para negar nenhum dos lados. Afinal, a harmonia é o caminho do meio. Um bem.

Um comentário:

  1. Leda, adorei o tema e o texto. Como sempre eu ando lendo muito sobre esses temas e quero recomendar os livros de um autor espetacular, Gregg Braden.Lembra do livro que te dei, A Biologia da Crença? Pois os de Gregg são mais profundos ainda:
    -A Divina Matriz
    -O Código de Deus ( espetacular)
    -O efeito Isaías
    São livros que cos despertam para o fato de que estamos todos interligados, que espiritualidade tem tudo a ver com materialidade. Vale a pena ler cada um deles.
    Beijos da amiga que te admira muito,
    sonia

    ResponderExcluir