Ana Maria naqueles dias nostálgicos, a memória lá atrás, adolescente. E danou a me contar do Sérgio. No colégio, as coxas dele eram um pódio. Eu só ouvindo. Ela e muitas outras logo aprenderam os horários das aulas de Educação Física e dos jogos de futebol. Pra dar só uma espiadinha. Em poucos dias já era o "belas coxas". Merecidamente. Eram morenas, grossas, musculosas, sem um oceano de pelos. E o short que ele usava? Miudinho.
O andar do Sérgio e o jeito de parar, com as pernas afastadas no ponto certo, uma coisa de matar, Ana Maria me disse. E quando se subia o olho pelo tronco, não decepcionava nada. Ombros largos e peitoral bonito, forte, sem nenhum exagero. Dava vontade de experimentar aquele pedaço dele como travesseiro. Só podia ser macio, morno, confortável. Bom de verdade.
Da lembrança, passou para a teoria. Intelectual gosta muito de conceitos. E Ana Maria classificou homens em dois tipos, levando em conta as coxas: Romário e Guga. Os primeiros ganham massa muscular fácil, até tomando água; os outros podem chegar a coxas bonitas e torneadas, mas nada que se compare ao sonho Sérgio. Além disso, ela me ensinou, os gugas são mais flexíveis que os romários e podem ser excepcionais em alguns casos, em especial para leitoras e apreciadoras do kamasutra. Mas não parou aí: "Olha, coxa grossa e morena é destino, não dá para construir". Eta Aninha sabida.
Eu apenas ouvia, sorvendo suas lembranças e os novos aprendizados. Aí me pediu opinião. Eu contei a ela ter conhecido uma moça que adorava míopes, por conta de um namorado que não era um voyeur típico. Muito pelo contrário. Ele ia chegando bem pertinho dela, bem pertinho mesmo, até roçar os cílios, o que lhe causava um doce estremecimento. E dizia: "Adoro ver dentro de você".
Nós duas já entrávamos naquela de quero um míope também quando Aninha lembrou:"Só não conheço mulher que se amarra em homem com aquela cor branco gringo". Eu também não.

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