quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Na montanha

Pequena, aconchegante, topografia montanhosa, a cidade de Brasópolis, no sul de Minas quase entrando em São Paulo, é lindinha de doer. Fica no Vale do Sapucaí, banhada pelo rio Vargem Grande. No Pico dos Dias, a 1860 metros de altitude, está o Laboratório Nacional de Astrofísica do CNPq. Na rua dos astros, onde o céu é mais bonito, várias casas enfeitam o caminho, uma delas a minha preferida: a casa da xará. Isso me leva a dizer: "Vou-me embora pra Brasópolis. Lá sou amiga da rainha".
Até lembrei de uma crônica do José Carlos Oliveira de onde pincei uma frase que nunca abandonou minha memória: "O nome dela é meu amor e nós somos xarás". Lindeza pura. Pois com a xará é assim também. Minha primeira amiga em Brasília foi ela. A primeira amiga dela, eu. E continuaremos a tecer a amizade tão bonita que nos pegou meninas. Pegou com força. Para sempre.
Costumo afirmar que cidades são pessoas. Não, o conceito não é descabido. Há cidades que falam pela localização, pela arquitetura, pela cultura, por tudo que oferecem. Reconheço. Mas sem as pessoas amadas, acabam frias. Não vestem em nós aquele casaco gostoso, aconchegante, com cheiro bom. Já nas cidades onde se encontra o calor dos amigos, o sol é mais sol e o riso da gente explode com a maior facilidade. Então resolvo mudar: cidades são redutos de afeto.
Em Brasópolis, além da xará, tem o Julião, a Lucy, o Nelson, a Bete, a Cláudia. Tem também música ao vivo, fogão a mil, cachaça mineira da boa, e reuniões festivas quase todo dia. Fruta do pé, hortas lindas. Orégano e tomilho frescos. E rosas, muitas rosas, perfumando a montanha.
Pertinho, um passeio imperdível : Maria da Fé, um reduto de artistas da maior qualidade, como Domingos Tótora e Leonardo Bueno. Puro luxo. O primeiro transforma papel craft, o popular saco de cimento, em móveis e objetos. O outro é um mestre da madeira e tem um design tipo ver pra crer. Ambos são mais conhecidos na Europa do que entre nós.
Mas agora preciso fazer a mala. Até a volta, Papo Furado.
Beijo,
Leda

2 comentários:

  1. Oi Leda,
    Quando viajava, adolescente, pelo interior de Minas, passava por Brasópolis, e essa cidadezinha nunca me saiu da memória. Sempre penso em voltar.
    Meu pai também falava muito de Maria da Fé.
    Obrigada por me reacender tais lembranças.
    Agora, quando voltar a Ouro Fino, sul de meninas, cidade também cheia de subidas e descidas, vou esticar meu passeio.
    Beijos

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  2. Olá, Leda,
    Adorei seu texto e seu Blog. Viajei escondida na sua mala para ver a Leda, também. Hoje a noite, quem sabe, tomamos aquele vinho, bem escolhido pelo Prado, na varanda acolhedora do querido casal....
    bjs
    Dulcinéa Cassis

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