segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

A outra (final)
Hoje eu estou passada. Minha amiga recebeu a carta e não gostou nadinha. Na cabeça dela, eu quero brincar com a dor que eu não sinto.Além disso, se arvorou em especialista na matéria, disputando conhecimentos. E eu nem sei nada sobre a outra.Só queria dizer a ela que o diabo não é tão feio quanto parece.Deu tudo errado. É que às vezes me atrapalho. Faladeira.E não aprendo. Sei que a gente só deve falar quando indagada.Mas,quando dou por mim, a boca já abriu,escancarou.
Ela foi logo me dizendo que conhece uma fulana,com quem se dá às mil maravilhas, que estava tão carente depois de um chute na bunda que encostou facinho num homem comprometido. Nem xingou a moça. Disse também saber de dois casos semelhantes: envolvimento de décadas formando triângulo amoroso ( isso é possível, usar amoroso num negócio assim?) E o resultado foi que as duas outras, além de virarem esposas entre aspas, transformaram os sujeitos em bígamos.
Não quis papo comprido.Minha amiga estava um foguete.Em menos de cinco minutos, disparou:"Olha aqui, não falo mais desse assunto com você". Bem, só posso aceitar.A decisão é dela.Mas sabe de uma coisa? Achei a bichinha mais forte e até pensei que a minha carta pode ter ajudado.Será?
O certo é que eu me livrei dessa história da outra.Só não sei por quanto tempo.E não é,percebo agora, que eu estava gostando? É mesmo! Estava e estou. Nunca tinha colocado minha energia mental nessa gavetinha onde as histórias parecem mais velhas do que andar para frente. E pensando bem, isso nem existe, quero dizer,uma mulher na qual se cola o rótulo de outra.A outra sou eu,é você, somos todas nós. Tão somente uma mulher.E se alguém pensar,homem ou mulher,que jamais vai ficar de um dos lados, traido ou traidor,ganha o trofeu de o (a) maior otimista do mundo. O desejo,a gente sabe, é errático,anda por aí independente de nós.Acontece de alguém,sabe-se lá como, dar aquele tranco,assustar mesmo, sem encostar um dedinho. Outro dia mesmo uma moça me contou que umedeceu inteirinha ao cruzar com um oficial da Aeronáutica que ela já conhecia!!! E esse bando de homem com revistas eróticas,a internet etc e tal? Ah mente louca! Depois, essa história de fidelidade contraria a natureza.Não somos animais? Racionais, tudo bem.Mas olha só os nossos irmãos, digamos cachorros,nossos parentes irracionais: não são melhor resolvidos?
Pra encerrar: todos traimos se o desejo e o pensamento contam. E quem se importar muito com isso,vai comer toda a porcaria do mundo. Era assim que se falava numa brincadeira da minha infância.

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