Já vi várias vezes alguém sinceramente supreso diante de uma pessoa que está infeliz embora apresente sinais exteriores de conquistas como vida nos trilhos sob os aspectos econômico e financeiro, bom gosto, família em ordem, saúde normal, um monte de viagens nas costas. Gente assim costuma ter a felicidade decretada pelo outro, que leva em conta o dinheiro como impedimento ao direito de sofrer. Perguntam: "Como, se você tem tudo?" É muita insensatez pensar assim.
Então, tá. Os ricos desfrutam não apenas do melhor proporcionado pela grana acumulada. A vida deles é um mar de rosas, poluição emocional zero. Valeria o mesmo para as celebridades, instantâneas ou não, sorrindo incansavelmente nas revistas especializadas em mirar tão somente superficialidades, certas de que não vale a pena observar as dificuldades de ninguém. E o mundo real constitui o cenário perfeito para a exibição das delícias de quem chegou lá. Um teatro sem qualidade, tosco mesmo.
O olhar apressado tropeça o tempo todo, lembra uma armadilha atrás da outra no meio do caminho. Nem sempre percebe que o melhor da vida está na satisfação de necessidades afetivas, na eterna busca da harmonia que nos acalma e nos centra. A grande festa é interna. Quando animada, agrega naturalmente o outro e, de verdade, nos enriquece, nos faz sorrir sem um fotógrafo à nossa frente. E os meios materiais? Ora, indispensáveis pra todos, mas não o princípio e o fim de tudo.
Se educássemos direitinho o olhar e a observação, descobriríamos que o tímido não é aquele sujeito sem graça, que nada tem a dizer ou nos acrescentar, e que os bem falantes não são exatamente os de contato mais fácil. Nem sempre o jeitão manso e a conversa suave devem ser traduzidos por interesse pelo outro e generosidade. Os religiosos de carteirinha levam uma vida correta? Os políticos, quase todos, se referem a Deus e a seus santos de devoção com muita intimidade.
A gente encontra uma pessoa modesta, vestida com simplicidade, sem o menor gosto pela exibição e, muitas vezes, acertamos em cheio em alguém especialíssimo que se desnuda aos pouquinhos e acaba nos surpreendendo. Nos apaixonamos por ela. Na outra ponta, surge o sedutor que nos atola de mimos, nos lembra com ênfase o quanto somos especiais e, um belo dia, percebemos que não nos dá quase nada, apenas nos usa em função do próprio narcisismo, por pretender, ele sim, se fazer grande com a nossa admiração. Vínculo afetivo que é bom, nada.
Tem também o pessoal da pesada, muito louco. Será que estão mesmo na deles? Por onde passam deixam um rastro de alegria e até inveja. Assistimos à liberdade deles se chocando com a nossa contenção. Eles nos parecem tão alegres... E o grupo do discurso 100 por cento afirmativo, tipo fodão, avesso a dúvidas e cheios de razão? Serão de fato os grandes convictos? A segurança que passam é real? Juro, não acredito na existência de pessoas muito seguras. Ou então não as conheço.
Finalmente me surgem as mulheres vestidas para matar, íntimas da noite, safas nas mais variadas situações, aparentemente avessas ao velho e bom romantismo: não se ligam em rosas vermelhas e muito menos no gesto galante do homem abrindo a porta do carro. Práticas, independentes, mundanas. Penso que, lá no fundo, talvez queiram mesmo um ombro forte, um apoio bem macho e, quem sabe, até sonhem com mamadeiras e fraldas, com um lar doce lar. O que não significa, de jeito nenhum, um dia-a-dia do século XIX.
Então, tá. Os ricos desfrutam não apenas do melhor proporcionado pela grana acumulada. A vida deles é um mar de rosas, poluição emocional zero. Valeria o mesmo para as celebridades, instantâneas ou não, sorrindo incansavelmente nas revistas especializadas em mirar tão somente superficialidades, certas de que não vale a pena observar as dificuldades de ninguém. E o mundo real constitui o cenário perfeito para a exibição das delícias de quem chegou lá. Um teatro sem qualidade, tosco mesmo.
O olhar apressado tropeça o tempo todo, lembra uma armadilha atrás da outra no meio do caminho. Nem sempre percebe que o melhor da vida está na satisfação de necessidades afetivas, na eterna busca da harmonia que nos acalma e nos centra. A grande festa é interna. Quando animada, agrega naturalmente o outro e, de verdade, nos enriquece, nos faz sorrir sem um fotógrafo à nossa frente. E os meios materiais? Ora, indispensáveis pra todos, mas não o princípio e o fim de tudo.
Se educássemos direitinho o olhar e a observação, descobriríamos que o tímido não é aquele sujeito sem graça, que nada tem a dizer ou nos acrescentar, e que os bem falantes não são exatamente os de contato mais fácil. Nem sempre o jeitão manso e a conversa suave devem ser traduzidos por interesse pelo outro e generosidade. Os religiosos de carteirinha levam uma vida correta? Os políticos, quase todos, se referem a Deus e a seus santos de devoção com muita intimidade.
A gente encontra uma pessoa modesta, vestida com simplicidade, sem o menor gosto pela exibição e, muitas vezes, acertamos em cheio em alguém especialíssimo que se desnuda aos pouquinhos e acaba nos surpreendendo. Nos apaixonamos por ela. Na outra ponta, surge o sedutor que nos atola de mimos, nos lembra com ênfase o quanto somos especiais e, um belo dia, percebemos que não nos dá quase nada, apenas nos usa em função do próprio narcisismo, por pretender, ele sim, se fazer grande com a nossa admiração. Vínculo afetivo que é bom, nada.
Tem também o pessoal da pesada, muito louco. Será que estão mesmo na deles? Por onde passam deixam um rastro de alegria e até inveja. Assistimos à liberdade deles se chocando com a nossa contenção. Eles nos parecem tão alegres... E o grupo do discurso 100 por cento afirmativo, tipo fodão, avesso a dúvidas e cheios de razão? Serão de fato os grandes convictos? A segurança que passam é real? Juro, não acredito na existência de pessoas muito seguras. Ou então não as conheço.
Finalmente me surgem as mulheres vestidas para matar, íntimas da noite, safas nas mais variadas situações, aparentemente avessas ao velho e bom romantismo: não se ligam em rosas vermelhas e muito menos no gesto galante do homem abrindo a porta do carro. Práticas, independentes, mundanas. Penso que, lá no fundo, talvez queiram mesmo um ombro forte, um apoio bem macho e, quem sabe, até sonhem com mamadeiras e fraldas, com um lar doce lar. O que não significa, de jeito nenhum, um dia-a-dia do século XIX.

Leda, já reparou que a humanidade é um bando de crianças brincando de ser gente grande?
ResponderExcluirUns brincam de guerra, outros de casinha. Outros, nos Cogressos mundo a fora, brincam de roubar o povo.
Uns brincam que sabem viver ouros brincam que nâo sabem viver.
Uns querem ser vilões, outros querem ser heróis... e há os que querem ser vítimas.
Todos estes papéis são pura infelicidade.
Alguém que realmente ser feliz?
ASua crônica me fez pensar bastante no que realmente vale a pena na vida.
Beijos de quem te ama.
Sonia