Cada doido com sua mania.
Ou melhor: cada doido com suas manias. Costuma-se ter mais de uma, mais de duas e vai por aí. E eu cultivo uma especialmente: adoro o quadríceps, aquele músculo grande da parte anterior da coxa, que a gente vê facinho, é só olhar para baixo. Na verdade, ele é um conjunto de quatro cabeças - os vastos intermédio, lateral e medial e o reto femural. Mas esses nomes difíceis a gente nem precisa aprender, coisa para especialista.
Coxa bonita é sinônimo de quadríceps torneado, saliente. Visto de perfil, ele descreve um semiarco perfeito e, de frente, confere um volume atraente ao corpo, o que vale para homens e para mulheres. Quem desenvolve legal esse músculo deve preservá-lo enquanto possível, já que também se responsabiliza por quatro foguetes: força, velocidade, resistência e coordenação.
Quando as pessoas vão perdendo o vigor em decorrência do tempo, o quadríceps começa a minguar. A massa muscular vai deixando o corpo devagarinho e, mesmo com muito exercício, a recuperação não é completa. Sabe aquele grupo que anda com as pernas levemente flexionadas, quase arrastando o pé? É o danado do músculo murchando. Deve-se a isso também a falta da graça, em especial na dança. Afinal, quem não consegue esticar a perna por completo, uma das funções dele, não tem como mostrar um senhor gingado.
E há um negócio ainda pior: o freio na coragem. Um jovem, por exemplo, é capaz de sair correndo e, ao ver uma poça d'água, pular na hora sem uma paradinha. Ele também consegue descer rapidamente uma escadaria. É o quadríceps em ação. Mas a avó da gente não faz um negócio assim nem morta. A prática intensiva de exercícios também demanda pelo super músculo, responsável pelo processo de resistência à fadiga. Até nas entregas sexuais comparece, pois age como flexor do quadril.
E não é que hoje dois quadríceps me surpreenderam? Eu caminhava pela manhã curtindo um restinho de inverno quando avistei um homem pra lá de maduro. Nem reparei nas suas feições porque meu olhar correu para as coxas dele, totalmente exibidas com a ajuda de um short claro, mínimo, quase justo. Quadríceps gigantes, impensáveis para um coroão, que se mexiam com as passadas fortes e apressadas do proprietário. E quando resolvi ver a cara do sujeito, supresa! Era o senador Eduardo Suplicy, do PT paulista. Foi rápido demais e, como andávamos em rotas contrárias, devo ter perdido muitos detalhes, pois não parei. Mas devia.
Qual será o segredo de Suplicy? Completou 68 anos no dia 21 de Junho, foi pugilista, gosta de correr e, pelo visto, de andar também. Mas com a musculatura ainda daquele tamanho ? Pra mim é um mistério. Foge às regras do corpo. Então passei a desconfiar que deve agregar qualidades que a política não mostra. Pessoais. Haja testosterona. Mas como nada é perfeito, Suplicy é lento para falar e tão desengonçado que é impossível imaginá-lo dançando pra valer numa roda de samba, cheio de malandragem. Ou seja: o quadríceps, meu deus muscular, serve de base pra muita coisa mas não realiza milagres: Suplicy é a prova.

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