sexta-feira, 13 de março de 2009

Chic

Ser chic virou uma tentação. Bombardeados todos nós pela mídia que privilegia a juventude, a beleza e a elegância, a maioria de nós se preocupa cada vez mais com a aparência, que demonstraria nosso poder, nosso status, nosso lugar no mundo. Antes, apenas os poderosos desfilavam entre aspas para os outros. Agora, não. Todos querem exibir alguma coisa, cada um para o seu público.
Essa característica da sociedade moderna não se sustenta em nada e praticamente só alimenta quem produz ou vende de cirurgias plásticas a automóveis, passando por roupas, jóias, acessórios, festas, enfim, a cadeia toda. Curioso, alimenta até a pirataria, como mostram bonés, camisetas, bijus, perfumes, bolsas, tênis, meias, biquinis que surgem em qualquer rua do interior e das cidades e viraram símbolos de bom gosto. Fashion.
Conheço uma diarista que vivia reclamando do marido. Um dia, sugeri que o deixasse. Ela pulou: “De jeito nenhum! Vou mandar ele ir embora depois que ensinei ele a se vestir?” Muito recentemente uma amiga conseguiu tirar pequenas manchas do rosto e indagou preocupada:”Está dando na pinta que fiz uma intervenção? Será que alterou minha imagem?” É o disparate do disparate. Na correria do hoje, será que alguém olha detidamente para alguém, se preocupa de fato com o outro sem uma razão específica?
Quando o Presidente Lula assumiu a presidência pela primeira vez, a “galega” Marisa despertou curiosidade. Como se portaria a primeira-dama? Conservaria a essência? Em pouco tempo verificou-se que o figurino aparentemente imposto lhe roubou a individualidade. Além de não falar, dona Marisa se comporta publicamente como um robô, veste o que é adequado sem o menor traço pessoal, não demonstra nenhuma espontaneidade, e curvou-se à fantasia da fonte da juventude, como evidencia seu rosto crivado de substâncias que mais deformam do que rejuvenescem. Certamente agora se considera uma mulher chic. Deu um pulo gigantesco.
Ora, o chic vem de dentro para fora e abrange o olhar, o gestual, o sorriso, a forma de falar, a atenção para ouvir, a opção por um estilo, o tom de voz, a discrição, a solidariedade, a conversa, a delicadeza, o andar e o parar, o comportamento natural à mesa e, claro, as roupas e quetais. Não há como comprar o chic nas melhores esquinas e nos estilistas renomados. E muito menos internalizá-lo por mero voluntarismo. Além disso, chic não é valor. É circunstância. Mas perde-se muita energia na sua busca impossível e pouco se considera que mais vale a boa educação do que um ideal sem qualquer substância, o que não invalida a procura por uma aparência legal, desde que não se mergulhe no auto- engano ou no delírio de impressionar o outro.

Um comentário:

  1. LEDA,
    ADOREI! Cê tá cada vez melhor.
    Beijos da sua amiga de fé, Sonia Novaes

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