Eu acho gozado observar pessoas treinando o que vão dizer. Acontece muito no meio de uma conversa ouvir coisas assim. Mas isso não pode dar certo porque, se a decoreba sair direitinho, fazer o quê quando a outra parte se manifestar? Cadê a resposta pronta? Até esse pensamento, pra lá de bobo, voou na minha cabeça antes de encontrar o caminhante. Na verdade, não sabia nem se conseguiria abrir a boca. E olha que sou falastrona.
Bem, levei mil e um trancos por aí, observo comportamentos com infinito gosto, e engulo livros há décadas. Uma mulher vivida e ponto. Esquematizava mentalmente minha segurança. Mas qualquer coisa me dizia: vai ser difícil. Um bar calminho, se é que existe, não seria melhor do que uma caminhada que não passa de uma hora? Mas não tinha escolha. Se tanta gente vive na rua, com certeza também pode servir para conversas, até as custosas, como diria o bom mineiro. A verdade é que sentia uma esquisitice, ansiedade com medo, quase uma aflição. E muita vontade de vê-lo.
Uma nova manhã e eu ali, passo a passo, olhando na direção em que ele sempre aparecia. Fantasiei que colocaria em mim olhos desconfiados e esperaria a primeira palavra. Até aí muito fácil: bom dia. Mas, e depois? Olhei o céu com meu hemisfério direito do cérebro em busca do todo para acalmar a mente, do jeito que aprendi outro dia, respirei demoradamente e prossegui.
E nada. Mais adiante, nada. Nada, nada. A decepção veio pesada e andei mais depressa, quase correndo. Queria vencer a quilometragem do dia, voltar pra casa e cismar. Que bosta! Notei que, naquele momento, precisava daquele homem visceralmente. Claro que teria palavras próprias na bandeja pois minha inteligência é oral, eu poderia fazer bem a ele nem que fosse só um pouquinho, eu queria isso, o semelhante dá a mão ao semelhante por ser inerente à espécie, a vida é troca, a compreensão integra a natureza humana. Mas consegui frear a torrente mental, me refiz na marra e arrematei: a gente não controla nada. Não controla ninguém.
Nunca mais encontrei o ...... Nossa! O nome dele eu nem sabia e nunca perguntou o meu. Só agora me dava conta. Ele conhecia minha casa, bem no início de uma rua. Mas como continuava andando depois que eu completava a caminhada, ignorava o endereço dele. Mas era depositária da dor daquele sujeito magro, claro, maduro, obviamente difícil. Será que se pode confiar em alguém que possui nossas mazelas numa folha de papel? Teria pensado em qualquer coisa assim? Acabei rindo quando um não gigante apareceu dentro de mim.
Engraçado, a gente diz: conheço o Luis, ele mora ali na QL 12, trabalha no BNDEs, tem uma mulher chatíssima, um carro lindo e adora comprar vinho no supermercado. E não conhece nada do Luis. Eu cheguei perto da essência do caminhante, mas não ao que se convencionou chamar de conhecimento do outro. Qual a informação verdadeira?
Bem, levei mil e um trancos por aí, observo comportamentos com infinito gosto, e engulo livros há décadas. Uma mulher vivida e ponto. Esquematizava mentalmente minha segurança. Mas qualquer coisa me dizia: vai ser difícil. Um bar calminho, se é que existe, não seria melhor do que uma caminhada que não passa de uma hora? Mas não tinha escolha. Se tanta gente vive na rua, com certeza também pode servir para conversas, até as custosas, como diria o bom mineiro. A verdade é que sentia uma esquisitice, ansiedade com medo, quase uma aflição. E muita vontade de vê-lo.
Uma nova manhã e eu ali, passo a passo, olhando na direção em que ele sempre aparecia. Fantasiei que colocaria em mim olhos desconfiados e esperaria a primeira palavra. Até aí muito fácil: bom dia. Mas, e depois? Olhei o céu com meu hemisfério direito do cérebro em busca do todo para acalmar a mente, do jeito que aprendi outro dia, respirei demoradamente e prossegui.
E nada. Mais adiante, nada. Nada, nada. A decepção veio pesada e andei mais depressa, quase correndo. Queria vencer a quilometragem do dia, voltar pra casa e cismar. Que bosta! Notei que, naquele momento, precisava daquele homem visceralmente. Claro que teria palavras próprias na bandeja pois minha inteligência é oral, eu poderia fazer bem a ele nem que fosse só um pouquinho, eu queria isso, o semelhante dá a mão ao semelhante por ser inerente à espécie, a vida é troca, a compreensão integra a natureza humana. Mas consegui frear a torrente mental, me refiz na marra e arrematei: a gente não controla nada. Não controla ninguém.
Nunca mais encontrei o ...... Nossa! O nome dele eu nem sabia e nunca perguntou o meu. Só agora me dava conta. Ele conhecia minha casa, bem no início de uma rua. Mas como continuava andando depois que eu completava a caminhada, ignorava o endereço dele. Mas era depositária da dor daquele sujeito magro, claro, maduro, obviamente difícil. Será que se pode confiar em alguém que possui nossas mazelas numa folha de papel? Teria pensado em qualquer coisa assim? Acabei rindo quando um não gigante apareceu dentro de mim.
Engraçado, a gente diz: conheço o Luis, ele mora ali na QL 12, trabalha no BNDEs, tem uma mulher chatíssima, um carro lindo e adora comprar vinho no supermercado. E não conhece nada do Luis. Eu cheguei perto da essência do caminhante, mas não ao que se convencionou chamar de conhecimento do outro. Qual a informação verdadeira?
Um dia, parando num sinal no Lago Norte, olhei para a esquerda. Com um movimento contrário, perfeito como se vê no nado sincronizado, ele virou a cabeça e nos revimos. Ele imitou o sinal: fechado. Fechado para mim. Tinha esse direito.

Errei de post.
ResponderExcluirFiz um segundo comentário no post anterior. Era para estar aqui. Mas como esse engano se pareceu com a situação que vinha sendo descrita, deixo como está.
Beijos