O estranhamento diante do olhar que vê o mundo além do entorno como melhor e mais bonito com certeza vai me acompanhar pela vida inteira. É a velha história da galinha do vizinho, sempre mais gorda. Eu acredito piamente na semelhança entre as galinhas, descontando a criação em granjas-presídios e o quintal, o que aliás acontece em todo lugar. Também acredito que somos espelhos uns dos outros, características culturais à parte.
O maior estudioso de mitologia do século XX, o professor norte-americano Joseph Campbell, exemplo de humanismo e sabedoria, realizou uma pesquisa comparando os mais diversos conjuntos de mitos e concluiu que, nos confins da mente, o conteúdo dos medos, desejos, angústias, expectativas, sonhos são os mesmos. Apenas os símbolos mudam. Isso significa que a mitologia de uma tribo indígena pequenininha é bem parecida, digamos, com a grega, o que nos remete aos assuntos religiosos que gostam muito da palavra semelhante e da afirmativa somos todos irmãos.
Ao partir da crença em mentes irmãs, aporto no ego visível, cheio de diferenças de cor, olhos, cabelos, jeito de ser, de levar a vida, de clima, religiosidade, realização e organização social, mas acabo por cair no abismo comum inconsciente. E penso que essa identidade nos leva sempre ao mesmo lugar. Assim, tudo é bom e tudo não é bom em todo e qualquer lugar porque reflete apenas o humano e suas circunstâncias. Ou, parodiando Caetano, de perto nenhum país é normal.
Assim, não vejo galinhas mais gordas por aí e creio que os donos de olhos compridos em outros países e outras culturas tem uma visão, digamos, levemente nazista e, talvez, um pouquinho de complexo de inferioridade. Mas nada irremediável.Vale também aquele desejo de imitar, a chamada macaquice.
Ora, tentaram me vender vários pacotes: a supremacia do macho branco europeu, a superioridade ariana, a igualdade socialista, as oportunidades iguais na democracia, as maravilhas do Tio Sam e, recentemente, a supremacia chinesa, através do megaespetáculo da abertura das últimas olimpíadas. O discurso do dominador é sempre o mesmo.
Eu cá comigo prefiro o meu cantinho, com a sua graça e beleza, com suas mazelas e desmandos. E me dou por satisfeita pelo sangue negro correr quente dentro de mim, me abrindo ao riso fácil, ao gosto pela dança, pelo ritmo e pelo sexo, pelo amor às cores e aos sabores fortes, pela facilidade para entrar na brincadeira. E pulo de felicidade por meu lado português não ter me legado o formalismo, o culto ao fado e, graças a Deus, o bigode.
O maior estudioso de mitologia do século XX, o professor norte-americano Joseph Campbell, exemplo de humanismo e sabedoria, realizou uma pesquisa comparando os mais diversos conjuntos de mitos e concluiu que, nos confins da mente, o conteúdo dos medos, desejos, angústias, expectativas, sonhos são os mesmos. Apenas os símbolos mudam. Isso significa que a mitologia de uma tribo indígena pequenininha é bem parecida, digamos, com a grega, o que nos remete aos assuntos religiosos que gostam muito da palavra semelhante e da afirmativa somos todos irmãos.
Ao partir da crença em mentes irmãs, aporto no ego visível, cheio de diferenças de cor, olhos, cabelos, jeito de ser, de levar a vida, de clima, religiosidade, realização e organização social, mas acabo por cair no abismo comum inconsciente. E penso que essa identidade nos leva sempre ao mesmo lugar. Assim, tudo é bom e tudo não é bom em todo e qualquer lugar porque reflete apenas o humano e suas circunstâncias. Ou, parodiando Caetano, de perto nenhum país é normal.
Assim, não vejo galinhas mais gordas por aí e creio que os donos de olhos compridos em outros países e outras culturas tem uma visão, digamos, levemente nazista e, talvez, um pouquinho de complexo de inferioridade. Mas nada irremediável.Vale também aquele desejo de imitar, a chamada macaquice.
Ora, tentaram me vender vários pacotes: a supremacia do macho branco europeu, a superioridade ariana, a igualdade socialista, as oportunidades iguais na democracia, as maravilhas do Tio Sam e, recentemente, a supremacia chinesa, através do megaespetáculo da abertura das últimas olimpíadas. O discurso do dominador é sempre o mesmo.
Eu cá comigo prefiro o meu cantinho, com a sua graça e beleza, com suas mazelas e desmandos. E me dou por satisfeita pelo sangue negro correr quente dentro de mim, me abrindo ao riso fácil, ao gosto pela dança, pelo ritmo e pelo sexo, pelo amor às cores e aos sabores fortes, pela facilidade para entrar na brincadeira. E pulo de felicidade por meu lado português não ter me legado o formalismo, o culto ao fado e, graças a Deus, o bigode.

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