Ao ler Leila Diniz - Uma Revolução na Praia, de Joaquim Ferreira dos Santos, editado pela Cia. das Letras, constatei que a musa dos anos 60 não foi uma pessoa feliz. Decepção, pois minha memória dela era quase uma gargalhada, entusiasmo pela vida e muita brincadeira. Difícil imagem bater com a realidade.
Pelas páginas do jornalista Joaquim, Leila teve algumas mães, na falta da verdadeira, e passou por dificuldades para conseguir trabalho e dinheiro. Com Janaina bebê, morou em vários endereços por falta de estabilidade. Além disso, tinha medo de amar e chegou a confidenciar que preferia homens casados para continuar livre, certamente uma racionalização para esconder a própria insegurança. Às vésperas da viagem que lhe roubou a vida, aos 27 anos, se via envelhecida e constatava as dificuldades para criar a filha. Muito distante da vedete animada de Tem Banana na Banda. O que, aliás, não tira seu mérito intuitivo- revolucionário e muito menos impede que continuemos a lembrar dela com carinho.
Vida alheia é um prato cheio. As biografias que o digam. O Raul Seixas, por exemplo, andava de terno e bem caretão até conhecer o Paulo Coelho. Depois de meia dúzia de papos, drogas e iniciação ao satanismo pelo nosso querido imortal da ABL, deu no que deu. Parecia mais doido que o guru, como conta Fernando Morais em O Mago, da Editora Planeta.
O maestro brasileiro Tom Jobim, um dos maiores músicos do século XX, se assemelhava a um menino nas suas relações pessoais e, certamente, teve mais dificuldades do que Freud para entender o universo feminino. E Carmem Miranda, rebolando linda com o quadril e os olhos, era uma conservadora de mão cheia. Já o Vinicius de Morais, amigão e boa praça, foi exigente com sua família. Uma de suas irmãs enfrentou várias vezes a burocracia atrás de carimbos chatíssimos para botar em dia a vida do poetinha, sem falar nos vários pedidos de grana e pagamentos de contas.
Em Chatô, o rei do Brasil, o ex-dono da imprensa brasileira surge deliciosamente correndo e pisando forte, caindo de poder e sabendo usá-lo de modo espetacular. Li as mais de 700 páginas do livro e, ao final, morri de vontade de recorrer ao Fernando Morais porque, tinha certeza, o dr. Assis Chateaubriand foi um ejaculador precoce. Eu acabara de fazer um livro sobre impotência masculina e o jeito dele, aquela ansiedade toda, caía como uma luva (ou camisinha) no perfil do portador dessa disfunção sexual. Mas não procurei o Fernando que, provavelmente, passou longe do problema. Homens, preferencialmente, não tratam do assunto. Mas a minha certeza não vale nada porque não sou biógrafa. E o defunto que me perdoe.

Leda, esta foi a melhor de todas as suas crônicas. Parabens!
ResponderExcluirLedura, essa é de matar. Como vc escreve bem!!!Daria uma excelente biógrafa. Aliás, com sua fértil imaginação de escritora, penso que nem precisaria conhecer a vida pregressa do biografado. Sugestão a Fernando Morais: biografá-la, querida amiga.
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